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sábado, 28 de maio de 2011

Fora do usual



O leitor Elton Fasini mandou uma pergunta por e-mail: “Tenho feito vários cursos para conseguir uma colocação profissional melhor, mas sinto que não sou um profissional atraente para as empresas onde participo de processos seletivos. Como posso me tornar mais interessante?”

Prezado Elton. Antes de tudo, quero lembrá-lo que cursos, MBA´s, pós-graduações não são garantia alguma de profissionalismo. E as empresas sabem disso. O que elas buscam nos candidatos é competência.

Ser competente tem mais a ver com o seu crescimento como ser humano individual do que com todo o dinheiro de que você precisaria para conseguir obter certificados e graduações, muitos dos quais sem exigir qualquer esforço.

Vou propor uma experiência que, tenho certeza, valerá para você e para outros leitores interessados em progredir na carreira. Tente ler algo a que você não esteja acostumado. Por exemplo, a sessão de economia de seu jornal diário. Faça isto mesmo que no começo não a entenda. Após insistir um pouco, você verá surgir a necessidade de fazer uso de alguns livros para consulta paralela. Ao cabo de certo tempo, irá constatar que seu jornal tem muito mais serventia do que papel de embrulho.

Num certo sentido, você receberá dividendos livres de ônus desta iniciativa. A princípio, ela parecia sem sentido e até chata.

Outra proposta. Que tal fazer uma visita profissional não planejada a uma empresa onde tenha algum amigo que facilite isso para você? Um lugar de seu interesse. Há poucos dias visitei um centro de distribuição de mercadorias de uma grande rede de varejo. Foi só por curiosidade. O que aprendi lá pode ainda não ter sido validado especificamente para mim. Mas a qualquer momento terá. E ampliou de modo espetacular a minha visão sobre logística.

Quer mais uma ideia? Vista-se de maneira diferente à que você está acostumado. Um paletó, se você só usa camisa de manga curta. irá mudar um pouco sua imagem e, mais importante, sua autoimagem.

Estas propostas são uma receita cujo objetivo é quebrar o seu ritmo previsível de pensamento, e introduzir situações que lhe façam ver as coisas desde outras óticas possíveis, mas não exploradas. Garanto que lhe darão vivências ainda não presentes em seu acervo pessoal de vida e, consequentemente, lhe abrirão para novas competências, novos julgamentos.

Empresas se interessam por isso.

Liberte-se da coerção do consumismo. Quebre o modelo mental que as propagandas lhe impõem como necessidades. Você é muito mais criativo do que parece ser.

Assuma as rédeas de sua vida, e dê a ela o rumo não usual.


BRAHAM SHAPIRO 

É hora do jovem empreender e criar o próprio emprego

O universo que diz respeito ao mercado do trabalho não pode mais ser encarado apenas na perspectiva do emprego convencional. Muitas variáveis novas e desafiadoras surgiram e o mundo corporativo já não é o mesmo.

Infelizmente, muitos jovens ainda estão fortemente influenciados pela visão e modelo dos seus pais, que dão prioridade ao "emprego seguro numa grande corporação".

De uma forma complementar - embora inadequada para nossa época - também a maioria das escolas ainda está formando pessoas para uma visão e projeto exclusivamente centrado na ideia do emprego convencional. Ou, o que é ainda mais grave, persistem nas abordagens que desestimulam a atitude empreendedora como uma alternativa de trabalho.

Vale registrar que a opção de criar seu próprio emprego não deve surgir como tema apenas em épocas específicas. Em muitos países esses estímulos surgem quando cresce o índice de desemprego. Outros, entretanto, ampliam essas ações durante uma etapa de forte crescimento econômico, como é o caso atual do Brasil.

Essa orientação alternativa, visando a busca de um trabalho que não seja apenas fonte de renda, mas também de realização, deve ocorrer de forma permanente e sistemática. Afinal, as condições do mercado de trabalho sofreram profundas modificações há tempos.

Felizmente já se registram no Brasil resultados de iniciativas, tanto governamentais como privadas, que orientam, estimulam e até financiam novos empreendedores.

Segundo a articulista do "The New York Times", Hannah Seligson, "a lição mais importante talvez seja que o empreendedorismo pode ser um rumo de carreira viável, e não uma opção marginal. A velha promessa de que ingressar numa boa universidade e conseguir ótimas notas era suficiente para encontrar um bom emprego não funciona mais".

O aumento na quantidade de empreendedores que tem surgido nas renomadas escolas com MBA é um claro resultado desta tendência. Embora continuem existindo muitos entraves burocráticos para a criação de um empreendimento, bem como preconceito e dogmas de que para iniciar uma atividade autônoma se necessita de muito capital, já surgiram também vários facilitadores.

Os recursos eletrônicos mais acessíveis, como a internet, laptop, smartphones, twitter e facebook facilitam a divulgação de uma ideia. Construir um site, usar sistemas de videoconferências e apresentações de produtos ou serviços via web são alternativas interessantes, além de terem custos bem menores.

Importa a criatividade de cada um. Ou, como sempre disse a muitos que desejavam empreender: Ter a humildade e a capacidade para compatibilizar os papéis de "presidente" e "office-boy" ao mesmo tempo - pelo menos na fase inicial.

É evidente que não podemos descartar os riscos de fracassos e desilusões. Em média, 50% dos novos empreendimentos falham nos primeiros cinco anos. Uma das características importantes do empreendedor, contudo, é a capacidade de se motivar e manter a criatividade para transformar problemas em oportunidades.

Ser um empreendedor é desenvolver a competência de descobrir formas criativas e inovadoras de preencher - ou até mesmo criar - soluções para "lacunas" do mercado que outros não perceberam.

É da maior importância que as famílias digam aos seus filhos que eles devem analisar o empreendedorismo como uma opção, quando tratam de seu futuro profissional. É possível criar alternativas de emprego, sempre que possível, apoiadas por conteúdos curriculares das instituições de ensino.